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quinta-feira, 5 de março de 2015

O imaterial em versos

Para mim é uma libertação poder tentar transpor em palavras sentimentos contraditórios e aparentemente insondáveis. O que não se vê é, muitas vezes, subestimado pelas pessoas que estão a cada dia mais ligada ao que se estipulou chamar real. Mas o que é a realidade, afinal? Perguntem a indivíduos distintos e colherá respostas que não serão idênticas, pois a subjetividade não suporta generalizações, imposições. A construção de um indivíduo como ser humano não pode ser reconstruído em um laboratório. Não há formulas prontas para direcionar como será determinada pessoa. Na corda bamba da procura da identidade, a expressão de sentimentos através de palavras é uma ótima maneira de exercitar o autoconhecimento. Esse é uma das vias mais seguras para se atingir ao equilíbrio emocional e estabelecer uma ponte segura com o que não se pode ver. Essa é mais uma das minhas tentativas de entender sensações momentâneas (Graças a Deus mesmo!) de desagregação de mim em pedaços que tento juntar ao longo da minha vida:

Pedaços


Ânsia de não ser,
Pedaços,
Não mais pranto, nem desespero,
Veneno e apatia.
Alma intocada.
Solidão intocada.
Matéria bruta.
Solidão bruta.
Algemas dos pensamentos,
causam uma dor desconhecida.
Como se uma lâmina invisível,
mas não, por isso, menos lacerante,
rasgasse minhas entranhas
e deixasse um vazio dentro de mim.
O eco dos meus medos e incertezas
deslizam nos labirintos de minha mente
em desvario.
A música do tempo escutada pelos sentidos,
esperando o Maestro da Vida harmonizar
tão tumultuosas sensações.

(Millena Cardoso de Brito)

Crédito: foto retirada da Internet



sábado, 21 de fevereiro de 2015

Descoberta

Crédito: Imagem retirada da Internet

Sinto os olhos doloridos por lágrimas reprimidas.
Os sons das palavras de maldição corroem
minhas crenças sobre o infinito do amor de um Ser Supremo.
Estou caída no chão totalmente nua,
mas não é só a vergonha da nudez que mais me faz nausear,
e sim a exposição de todas as mazelas de minh'alma
que visualizo serem devassadas por um olhar intensamente revelador,
apesar de deixar escapar uma piedade imensa que me faz sentir
ainda mais vergonha de estar diante do Autor de Tudo.

Acordo do transe que cai ao fechar meus olhos em oração.
Olho para o meu corpo e percebo que não estou nua
e continuo de pé no meu quarto solitário,no mesmo lugar que estava,
quando comecei a dirigir aos Céu minhas preces.

Lembrei dos olhos do Senhor que me despia de todas as armaduras
que revestiam minha alma e como cai diante daqueles olhos tão terrivelmente desconcertantes.
Eu consegui enfim recobrar a consciência dos meus sentidos
e pude chorar a dor reprimida durante um longo tempo de luta contra os encantos dos ensinamentos de Jesus Cristo.

Compreendi que o que eu pressenti desde criança era verdadeiro,
existia uma outra realidade que também fazia parte de mim.
A luta do BEM contra o mal, tão exaustivamente proclamada desde que o mundo era mundo,
não era uma daquelas estórias inventadas para as pessoas controlarem seus atos, evitarem suas travessuras ou desvios de conduta. Era bem real e eu pude sentir e ver com os olhos da alma
as consequências desse embate.

Eu pude compreender conscientemente que o Mau e o Bem disputam nossos seres, não em um mundo longínquo, mas na Terra mesmo.

Pedi perdão pelas minhas fraquezas e resolvi aceitar o desafio de tornar-se uma recruta do Reino de Deus.

Perguntei que armas usaria.
E a resposta foi límpida e clara como as Palavras que eu ouvi com os olhos fechados:

- As armas são a Oração e a Palavra de Deus.

E eu só podia dar uma resposta diante da lembrança da visão daqueles olhos tão terrivelmente piedosos:

- Amém Senhor! Ajude-me a fazer a tua vontade Meu Deus!

(Millena Cardoso de Brito)

Quem quiser combater comigo, transcrevo algumas orações de cura e libertação que recebi em reuniões da Renovação Carismática Católica, quem as escreveram eu desconheço.

ORAÇÃO DE LIBERTAÇÃO PARA QUEBRA DE MALDIÇÕEeEm no

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
Em nome e no poder de Jesus Cristo, o Senhor, pelo seu sangue derramado, e pela intercessão da Virgem Maria, eu:
Anulo toda maldição que eu mesmo tenha lançado contra mim mesmo.
Torno sem efeito toda praga, toda impressão que porventura eu tenha lançado contra minha vida.
Desfaço toda palavra má que eu mesmo falei a respeito do meu futuro.
Desfaço todo pacto que eu tenha feito com Satanás, que seja direta ou indiretamente.
Declaro anulada toda maldição que porventura eu tenha lançado contra meus negócios, contra meus estudos, planos e tudo o que eu tenho.
Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo...

Em nome e no poder de Jesus Cristo, o Senhor, pelo seu sangue derramado, e pela intersecção da Virgem Maria, eu:
Anulo toda e qualquer maldição que lançaram contra mim.
Torno sem efeito toda maldição lançada contra meus antepassados, das quais eu e meus familiares estejamos experimentando seus efeitos.
Desfaço todo pacto que meus antepassados fizeram com Satanás, quer seja direta ou indiretamente.
Declaro anulada toda maldição lançada contra meus negócios, estudos, planos e contra tudo que eu tenho.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo...

Em nome e no poder de Jesus Cristo, o Senhor, pelo seu sangue derramado, e pela intersecção da Virgem Maria, eu:
Anula toda e qualquer maldição que lancei contra outras pessoas.
Torno sem efeito toda maldição que eu tenha lançado contra meus filhos, pais, avós, etc. (falar os nomes)
Declaro sem efeito toda praga que porventura eu tenha lançado na vida das pessoas.
Declaro anulada toda maldição contra os negócios do meu próximo, contra tudo que ele é e tem.
Glória ao pai, ao Filho e ao Espírito Santo...

Em nome e no poder de Jesus Cristo, o Senhor, pelo seu sangue derramado, e pela intersecção da Virgem Maria, eu:
Desejo perdoar de todo coração as pessoas que não tenho conseguido amar o bastante (dizer os nomes)-declaro que o rancor e o ódio não mais têm poder sobre mim.
Desejo restituir àquele(s) que lesei, àquele(s) a quem fui injusto-declaro que o Senhor me dará a sabedoria necessária para fazê-lo.
Desejo romper com a vida de pecado, ou atitudes de pecado que esteja cometendo-declaro que o Senhor é o meu libertador.
Desejo renunciar a todo e qualquer vício-declaro que de agora em diante nenhum mau tem poder sobre mim.
desejo abençoar todas as pessoas que me perseguiram (dizer os nomes)-declaro de hoje em diante que elas estão debaixo do poder de Deus.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo...

Em nome e no poder de Jesus Cristo, o Senhor, pelo seu sangue derramado, e pela intersecção da Virgem Maria, eu:
Me comprometo de hoje em diante a somente lançar palavras de vida, de vitória na minha vida e na vida do meu irmão.
Me comprometo a pagar o dízimo segundo o costume da minha paróquia.
Me comprometo a cumprir com amor todos os mandamentos de Deus, especialmente aqueles que dizem respeito ao amor para com os pais  e para com o cônjuge.
Me comprometo a tentar ter um meio digno de subsistência.
Me comprometo, de hoje em diante, a não ser negligente para com as coisas de Deus.
me comprometo a ser misericordioso para com os pobres.
Me comprometo a transmitir com seriedade o Evangelho de Jesus.

Rezar: Pai Nosso e Ave Maria. Amém!



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Eu não estou, nem sou sozinha!

Crédito: Imagem retirada da Internet

Passos


Pés errantes pela areia fina,
Olhos cansados,
Peito ferido,
Boca calada,
Alma sofrida.
Confusão de sentimentos
Que me fazem sofrer.
Então, os pensamentos fogem ao toque do vento,
O pedido de ajuda silencia no peito.

Imagino que estou só.

Nesse momento verto copioso pranto,
Que inunda todo o meu ser...

O sal das lágrimas misturam-se às ondas 
Que tocam suavemente meus pés.
As salgadas vagas trazem uma sensação doce,
Como de um abraço amigo.

Dentro de mim escuto a voz de Deus
Vindo do Seio da Criação a cantar
Em meus ouvidos ao ritmo do barulho do mar.
Percebo que não estou sou, 
Pois ausente do burburinho de outras pessoas,
Experimento um amor mais imenso 
Que o oceano que avisto sem conseguir
Enxergar o fim...

O Amor de Deus está em mim e vem
De tudo que meus sentidos podem captar...

Ao voltar a superfície da minha consciência,
Meus pés errantes voltam a percorrer 
Um espaço inconstante na beira do mar...

Mas, depois de mergulhar na imensidão do
Amor até então desconhecido,
Sinto as feridas remoídas cicatrizarem
pelo contato com o Sol do céu 
E o Sal das lágrimas e do Mar.

(Millena Cardoso de Brito)




segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Autorretrato

O que eu sou... Sou campo de guerra entre Deus e o diabo. Sou dor, medo, desejo, palavras que juntas me fazem ter voz. Sou amor, sou carinho, peito aberto, alma suplicante, sentimentos a confrontarem-se sem voz. Sou existência errante, transitoriedade ambulante, procurando um caminho, castigado pelo tempo veloz. Sou indivíduo em busca da Verdade, consciência perdida de alguma verdade escondida. Sou escuridão, luz. Sou a indefinição das palavras, edifício em construção. Enfim, sou apenas uma parte da humanidade... O nada em busca do Tudo, querendo ser tudo em cada parte, mas sendo apenas uma parte da Eternidade. (Millena Cardoso de Brito)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Sobre a finitude da vida

Tantos


Tantos poetas já mortos,
Tantas mentes brilhantes enterradas
que comidas por vermes viraram pó.
O tempo passando veloz transforma
e forma o que não se dissipa.
O que ele destrói renova-se
e o que se perde transmuta-se em algo,
muitas vezes, desconhecido.

Tantos tentaram, mas tão poucos conseguiram
vencer as barreiras do tempo.
Tantos túmulos foram esquecidos de
vidas que se doaram por ideais transgredidos
e lavaram a terra com um sangue que mudou
o rumo da história humana. 
Mas, que agora são lembranças
que roçam as incertas tentativas
de reconstruir um passado que ficou
guardado longe da consciência dos mortais.

Serei, talvez, mais um sopro de vida
que irá se apagar na imensidão dos dias
com palavras escritas (ou digitadas) 
que desaparecerão ou serão incorporadas
a outras consciências...
Talvez, minha busca seja em vão
e nunca encontre o que procuro:
a verdade.
Mas, eu não desisto,
pois a esperança é o alimento da minha alma.

E, assim, vou sobrevivendo
ser a calar, enquanto o mundo grita,
ser a gritar, enquanto o mundo cala,
escondido nas coisas mais simples da vida.

( Millena Cardoso de Brito)

Crédito: Imagem retirada da Internet do blog Crônicas Macaenses (http://cronicasmacaenses.com/2014/08/09/operarios-chineses-na-primeira-guerra-mundial/)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Quando será a hora de partir?

Crédito: Imagem retirada da Internet

Partida

                                                    Quieta te deixei partir
                                                    Com um pranto silencioso
                                                    E conformado com o que chamei
                                                    "Vontade de Meu Deus".
                                                     Nunca te pertenci,
                                                     Nem tu pertencestes a mim,
                                                     Restou-me apenas a saudade 
                                                     Do que nunca existiu.
                                                     Nada podia fazer,
                                                     Pois o respeito que sempre 
                                                     Tive a tua liberdade
  Mostrou-se bem maior que 
                                                     Meus desejos egoístas.
                                                     Preferi ver-te procurar com
                                                     Teus próprios passos a tua felicidade,
                                                     Mesmo que longe de mim,
                                                     A ter-te infeliz por perto.
                                                     Deixei-te seguir os impulsos 
                                                     De tua alma selvagem.
                                                     Quieta te vi em outros braços.
                                                     Tu feliz parecias nem me notar.
                                                     Acompanhei teus passos a distância.
                                                     Não sabias, mas nunca estarias sozinho,
                                                     Pois quando precisasses sempre
                                                     Teria alguém para acompanhastes.
                                                     Talvez mesmo distante transpassado
                                                     Por uma brisa incerta
                                                     Tua alma pressentisses o amor dado
                                                     E teu corpo tremesse a esse toque...
                                                     Porém tu não soubestes entender
                                                     Os pequenos sinais que desvendam
                                                     Os Grandes Segredos do Amor.
                                                     Eu te amei e tu sem compreender
                                                     Perdestes um puro e verdadeiro Amor.

                                                     (Millena Cardoso de Brito)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Desestigmatização

Padrões


Padrões,
vilões
da mente,
palavras mudas, 
presas no inconsciente,
causando guerras
por dentro e por fora,
as dores, o mau.
Semente estéril,
plantada nas vagas do tempo,
formando conceitos, preconceitos,
tecendo ilusões
nas mentes sem direção!

(Millena Cardoso de Brito)