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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Eu não estou, nem sou sozinha!

Crédito: Imagem retirada da Internet

Passos


Pés errantes pela areia fina,
Olhos cansados,
Peito ferido,
Boca calada,
Alma sofrida.
Confusão de sentimentos
Que me fazem sofrer.
Então, os pensamentos fogem ao toque do vento,
O pedido de ajuda silencia no peito.

Imagino que estou só.

Nesse momento verto copioso pranto,
Que inunda todo o meu ser...

O sal das lágrimas misturam-se às ondas 
Que tocam suavemente meus pés.
As salgadas vagas trazem uma sensação doce,
Como de um abraço amigo.

Dentro de mim escuto a voz de Deus
Vindo do Seio da Criação a cantar
Em meus ouvidos ao ritmo do barulho do mar.
Percebo que não estou sou, 
Pois ausente do burburinho de outras pessoas,
Experimento um amor mais imenso 
Que o oceano que avisto sem conseguir
Enxergar o fim...

O Amor de Deus está em mim e vem
De tudo que meus sentidos podem captar...

Ao voltar a superfície da minha consciência,
Meus pés errantes voltam a percorrer 
Um espaço inconstante na beira do mar...

Mas, depois de mergulhar na imensidão do
Amor até então desconhecido,
Sinto as feridas remoídas cicatrizarem
pelo contato com o Sol do céu 
E o Sal das lágrimas e do Mar.

(Millena Cardoso de Brito)




segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Autorretrato

O que eu sou... Sou campo de guerra entre Deus e o diabo. Sou dor, medo, desejo, palavras que juntas me fazem ter voz. Sou amor, sou carinho, peito aberto, alma suplicante, sentimentos a confrontarem-se sem voz. Sou existência errante, transitoriedade ambulante, procurando um caminho, castigado pelo tempo veloz. Sou indivíduo em busca da Verdade, consciência perdida de alguma verdade escondida. Sou escuridão, luz. Sou a indefinição das palavras, edifício em construção. Enfim, sou apenas uma parte da humanidade... O nada em busca do Tudo, querendo ser tudo em cada parte, mas sendo apenas uma parte da Eternidade. (Millena Cardoso de Brito)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Sobre a finitude da vida

Tantos


Tantos poetas já mortos,
Tantas mentes brilhantes enterradas
que comidas por vermes viraram pó.
O tempo passando veloz transforma
e forma o que não se dissipa.
O que ele destrói renova-se
e o que se perde transmuta-se em algo,
muitas vezes, desconhecido.

Tantos tentaram, mas tão poucos conseguiram
vencer as barreiras do tempo.
Tantos túmulos foram esquecidos de
vidas que se doaram por ideais transgredidos
e lavaram a terra com um sangue que mudou
o rumo da história humana. 
Mas, que agora são lembranças
que roçam as incertas tentativas
de reconstruir um passado que ficou
guardado longe da consciência dos mortais.

Serei, talvez, mais um sopro de vida
que irá se apagar na imensidão dos dias
com palavras escritas (ou digitadas) 
que desaparecerão ou serão incorporadas
a outras consciências...
Talvez, minha busca seja em vão
e nunca encontre o que procuro:
a verdade.
Mas, eu não desisto,
pois a esperança é o alimento da minha alma.

E, assim, vou sobrevivendo
ser a calar, enquanto o mundo grita,
ser a gritar, enquanto o mundo cala,
escondido nas coisas mais simples da vida.

( Millena Cardoso de Brito)

Crédito: Imagem retirada da Internet do blog Crônicas Macaenses (http://cronicasmacaenses.com/2014/08/09/operarios-chineses-na-primeira-guerra-mundial/)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Quando será a hora de partir?

Crédito: Imagem retirada da Internet

Partida

                                                    Quieta te deixei partir
                                                    Com um pranto silencioso
                                                    E conformado com o que chamei
                                                    "Vontade de Meu Deus".
                                                     Nunca te pertenci,
                                                     Nem tu pertencestes a mim,
                                                     Restou-me apenas a saudade 
                                                     Do que nunca existiu.
                                                     Nada podia fazer,
                                                     Pois o respeito que sempre 
                                                     Tive a tua liberdade
  Mostrou-se bem maior que 
                                                     Meus desejos egoístas.
                                                     Preferi ver-te procurar com
                                                     Teus próprios passos a tua felicidade,
                                                     Mesmo que longe de mim,
                                                     A ter-te infeliz por perto.
                                                     Deixei-te seguir os impulsos 
                                                     De tua alma selvagem.
                                                     Quieta te vi em outros braços.
                                                     Tu feliz parecias nem me notar.
                                                     Acompanhei teus passos a distância.
                                                     Não sabias, mas nunca estarias sozinho,
                                                     Pois quando precisasses sempre
                                                     Teria alguém para acompanhastes.
                                                     Talvez mesmo distante transpassado
                                                     Por uma brisa incerta
                                                     Tua alma pressentisses o amor dado
                                                     E teu corpo tremesse a esse toque...
                                                     Porém tu não soubestes entender
                                                     Os pequenos sinais que desvendam
                                                     Os Grandes Segredos do Amor.
                                                     Eu te amei e tu sem compreender
                                                     Perdestes um puro e verdadeiro Amor.

                                                     (Millena Cardoso de Brito)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Desestigmatização

Padrões


Padrões,
vilões
da mente,
palavras mudas, 
presas no inconsciente,
causando guerras
por dentro e por fora,
as dores, o mau.
Semente estéril,
plantada nas vagas do tempo,
formando conceitos, preconceitos,
tecendo ilusões
nas mentes sem direção!

(Millena Cardoso de Brito)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Uma verdadeira prova de amor

Para que te manterias preso em meus braços?
Se preferes refugiar-se em outro espaço!
Creio em Deus e sei que, como ser Todo-Poderoso,
o Senhor criador do céu e da terra poderia limitar
nossa liberdade e obrigar-nos a amá-Lo,
mas, diferente disso, o Criador espera por nosso amor
na discreta imensidão do seu insondável Reino.
Quem seria eu, então, para exigir o amor de alguém?
Tenho a alma exposta em cada gesto, trejeitos e jeitos
de  estar e ser,
deixo um pedaço de mim em cada abraço,
em cada encontro ou mesmo nos desencontros,
não temo brincar com fogo,
nem me afogar nas profundezas dos mistérios que rondam céus e terras.
Quero sempre mais,
quero o que está oculto,
não me contento com o que está na superfície,
não nasci para permanecer no meio-termo.
Para mim é não ou sim,
sim e não é engodo,
não quero andar na corda bamba
das meias palavras.
Tudo ou nada.
A liberdade tem seu preço e é bem caro.
E eu estou disposta a pagar o que for preciso
pelo amor Eterno de Deus.
Cada escolha exige renúncias,
é preciso ter consciência
das consequências do que se fez e/ou não se fez.
Não agir também é uma escolha
e como tal tem seu efeito.
Tenho consciência da necessidade de sofrer,
pois só experimentando esse amargo cálice
é que estaremos prontos para a verdadeira Felicidade.
Escolhi amar.
Essa escolha é uma via dolorosa, mas repleta de saborosos frutos.
Quem trilha esse caminho, experimenta alegrias
que são pedaços da Eternidade.
Por isso, apesar de feridas pelos inimigos,
as pessoas que decidem Amar não conseguem voltar atrás.
Eu não consegui resistir a esse caminho sem volta.
Tu conhecestes essa minha escolha
e ao sentir a minha tão eloquente dor por ter que te deixar partir, perguntastes-me:
-Deixarás que eu vá embora para longe de ti, sem ao menos saciar em mim teu desejo?
Olhei com uma enigmática alegria de mãos dadas com uma profunda tristeza e respondi:
-Não quero ir contra meus princípios. Se saciasse meu desejo carnal, sentiria uma dor maior do que a que sinto em minh'alma por te deixar, sem consumar as ordens dos meus instintos. Uma parte de mim está muito feliz, pois sei que estás livre de qualquer lembrança que poderia te prender a mim.
Mantive a firmeza das palavras, mesmo com o vacilar de cada um dos sentidos que me desobedeciam como se tivessem vida própria.
Tu olhastes para minhas lágrimas grossas escorrendo timidamente pelas minhas faces rígidas e por alguns segundos te vi vacilar, mas teu coração já estava tomado por horizontes que não eram os meus.
Ao ver-te vacilar forcei um sorriso que foi todo uma prova de amor e um pedido para que tu fosses sem temer estar liberto, pois ao pressentires a morte da paixão, tu poderias estar certo de que tinhas em mim feito ressurgir um sentimento depurado: o verdadeiro Amor.
Eu quis dizer com aquele sorriso em meio às lagrimas que o Amor nunca morre e que eu sempre estaria esperando por ti, quando tu precisasses repousar, sem a antiga inquietação do desejo,
no meu colo amigo
Depois de tal gesto, eu te vi ganhar os céus e levar contigo pedaços de mim para o desconhecido.

(Millena Cardoso de Brito)

crédito: Imagem retirada da Internet


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A morte será o limite da vida?

Humanidade


Ser vivo inconstante viver,
Imprevisível estar,
Incompromissível sentir,
No universo sem fim,
Mistérios infinitos a desvendar.

No mundo das ideias, os pensamentos voam
Os sentimentos fluem,
A vida humana escoa nas efêmeras horas
Na constante incerteza dos dias

Que passam incessantemente,
Conspirando contra a vida
Que nos leva a um fim
Na esperança de decifrar o enigma da

Morte.

(Millena Cardoso de Brito)