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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O abismo da consciência da vida

crédito:imagem retirada da net

Mundos paralelos

Não preciso do teu céu,
pois existe outro céu que é infinito.
Preciso parar com estes devaneios 
que me perco mesmo com os olhos abertos.
Não dá para viver na irrealidade
inventada de um falso mundo,
mesmo que ele seja mais seguro para mim,
a minha vida precisa de mim para existir.
Renuncio aos meus dias com doses diárias
de indiferença.
Sinto que estou errada.
Mas, como sair do fundo deste abismo?
Não vejo nada que me ajude a subir sozinha.
Nem tudo posso ver daqui de baixo,
mas não perdi a esperança
de ver de cima o fundo desse abismo.
E sei que irei compreender muita coisa...
que hoje não entendo...
só espero que não seja tarde demais.

(Millena Cardoso de Brito)

domingo, 2 de novembro de 2014

Encontro com a Senhora Morte


Eu fui uma criança muito medrosa. Eu me lembro que o Dia de Finados me fazia sentir tão triste. A Morte causava-me calafrios e os mistérios que a envolviam mexiam muito com a minha imaginação infantil de forma que me fazia criar seres sobrenaturais, como, fantasmas, vampiros, zumbis, lobisomens, cabeça de cuia e outras criaturas medonhas que eu imaginava.

As pessoas costumam comparar a morte como um indivíduo com uma capa preta e uma foice para ceifar a vida das pessoas marcadas para morrer. Eu não acho que essa seja a imagem da morte. Para mim, ela é uma sábia senhora, sentada em sua cadeira de balanço, esperando a hora certa de conduzir as almas a um lugar desconhecido, porém de destino certo.

O Senhor Deus Onipotente ordena a hora que a discreta senhora deve conduzir os escolhidos ao local que Ele determinar. Ela cumpre seus desígnios, pois sabe quão nobres são os planos do Senhor. A senhora morte é dotada de muita sabedoria, Deus a dotou de grande astúcia, ela sabe que todas os seres vivos tem uma hora certa de deixarem sua vida terrena. Algumas vezes, ela não precisa ir ao encontro dos que iram deixar sua vida terrena. Certos humanos a procuram sem serem chamados e a abraçam. Em seu seio, os suicidas sufocam o sopro de vida  que lhes resta e escorrem dos braços da Morte rumo a um abismo e se jogam, deixam-na com os olhos rasos de lágrimas e os braços impotentes, sem poder mostrar o lugar, normalmente, destinado às almas de seu Mestre.

Certo dia, olhei a Morte nos olhos. Bati à porta dela, ela não quis abrir. Lembrei-me de que os suicidas arrombam a casa da Morte. Eu ia tentar agir como esses desesperados, mas ouvi uma voz suave que parecia vir de todos os lados e de lugar nenhum, ao mesmo tempo, a voz também era cortante. Era como se de repente meu coração estivesse enterrado no gelo e uma brisa de calor soprasse e aos poucos aquece-o. Meus ouvidos distinguiram nitidamente estas palavras:

- Não chegou sua hora, nem tente ir ao encontro da Morte, pois ela não vai recebê-la, dei ordens aos meus anjos para te guardarem aonde fores, és minha, tens o Nome escrito no livro da Vida.

Fiquei sem ação, meu coração contorcia-se como se os meus batimentos cardíacos fossem tomados por um ritmo de um coração que não me pertencia, não conseguia pronunciar nenhum som audível, cai de joelhos de cabeças baixa, pois me sentia exausta, como se carregasse um peso maior que o do meu corpo. Meus sentidos ficaram absolvidos por uma luz tão intensa que me paralisou por inteiro. Após alguns instantes, eu pude discernir o que a voz dizia, mas seu significado continuava obscuro e produziu na minha alma uma mistura de alegria e de dor. Pressentia grandes responsabilidades e um caminho de saborosos dissabores. Uma força arrebatou-me do meu torpor e eu pude pronunciar apenas essas palavras:

- De quem é essa voz? Quem é você?

A Resposta veio como um raio que incendiou todo meu ser: 

-Sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim.

Ao escutar tais palavras, imediatamente, deitei por terra com os braços estendidos em forma de cruz, e conseguia dizer apenas:

- Senhor, eu sou tão frágil, por que me escolhestes? Eu nada sou Senhor para desejar que eu fique perto de Ti.

Em seguida, chorei convulsivamente e vi que se aproximava de mim uma bela mulher de quase cinquenta anos, mas de uma beleza capaz de ofuscar as mais lindas jovens do mundo. Ela estava coberta por um manto azul e aproximou-se falando com mel nos olhos:

-Coragem, flor do campo, não estás sozinha!

Levantei os olhos e a imagem foi desaparecendo aos poucos de meus olhos molhados pelas lágrimas. Mas, continuava a sentir a presença e o perfume suave da mulher a envolver meus sentidos e pude distinguir dentre tantas sensações e sons um barulho como o rufar de asas atrás de mim e, novamente, escutei a voz da bela mulher a dizer-me:

-Eu sou a Mãe do Filho de Deus e de todos os homens, não tenhas medo de fazer o que Jesus e Meu Deus pedirem.

Essas palavras foram pronunciadas por uma das vozes mais bonitas que tinha escutado na vida. Elas trouxeram-me uma paz que me fez restabelecer a calma e manter minha atenção às instruções que Deus ia me transmitindo com Sua voz de Trovão:

- Você precisa conversar com a Morte para entender o seu sentido.

Apesar de ficar confusa com tais palavras, eu não senti medo algum, pois a cada palavra que saía dos lábios de Deus, eu podia sentir uma força que me arrastava para seguir o que Ele havia me ordenado. Fui chamar então a morte para conversar:

-Boa Senhora, eu preciso fazer-lhe algumas perguntas.

Esperei por alguns instantes a resposta, mas nenhum som ouvi. Percebi o receio da Morte e insisti:

- Não entrarei em sua morada, apenas, preciso conversar do lado de fora de sua casa, eu fui enviada pelo Nosso Senhor.

A morte entreabriu a porta e pude distinguir um perfil de Senhora, seios fatos e olhos astutos a me examinar com curiosidade:

- O que você deseja que eu diga?

Respondi timidamente:

- Quem és? 

Notei um brilho reluzir na escuridão dos olhos da Senhora que desarmou sua desconfiança e começou a me dizer:

- O Anjo rebelde do Senhor plantou no coração dos homens o Mal, o desejo de Poder, de conhecer mais do que o Criador, por isso, eu fui escolhida para morar nessa casa à espera de levar determinadas almas para um lugar desconhecido, mas muitas vezes os próprios seres humanos procuram-me por eles mesmos...

- Assim como eu?

- Sim!

-O que acontece com eles?

-Nem eu sei, minha querida.

-Você não tem pena dessas pessoas que você vai buscar? A Senhora destrói seus planos, retira-as das pessoas que ama e espalha a tristeza entre as pessoas...

-Eu apenas cumpro ordens.

-Você sabe o motivo do Senhor não acabar com a condenação das pessoas?

- Ele já acabou com a condenação, menina, Deus fez-se homem, sofreu morte de cruz para mostrar aos seres humanos que é possível suportar o sofrimento e se sacrificar pelo bem dos outros e por amor a Deus.

-Que tipo de amor é esse que causa dor?

-O amor sem dor não faz sentido, minha querida. Cristo precisou morrer para ressuscitar para uma vida nova e com isso permitir que todos os homens também a tenham.

- Que amor tão grande foi esse, Morte, que se deixou ferir para curar as feridas de tantas pessoas que muitas vezes desprezam Deus?

- É um amor imenso, menina, você nem pode imaginar. Eu nunca fui buscar homem tão feliz, mesmo muito tendo sofrido tanto. Jesus Cristo irradiava de sua carne quase sem vida uma imensa paz e quando seus olhos cruzaram os meus, eu pude ver sorrir nele uma Esperança que nunca tinha visto em outro rosto. 

-Isso significa que é necessário vê-la para encontrar a verdadeira felicidade?

-Não chega a tanto. O Senhor disse-me que a morte apenas é necessária para que renasçam outros sentimentos e a matéria corruptível revista-se da perfeiçãodivina, essas são as palavras do Mestre.

- Agora, entendo minha boa Senhora, és muito sábia.

-Não fale assim, menina, não esqueça que iremos nos encontrar de novo e da próxima vez nosso encontro pode não ser tão agradável...Eu tenho os meus dissabores... Não esqueça que você precisa se preparar para esse dia como o Senhor Jesus Cristo estava preparado.

Nesse momento, senti um arrepio que logo se desfez em um largo sorriso ao me lembrar das palavras de amor que Deus me havia dirigido. A Morte olhou-me desconfiada e disse:

-Precisa ir embora. Isso é tudo o que me é permitido contar.

Respondi, mecanicamente, as palavras que pronunciei saíram confusas como meus pensamentos:

-É tarde para a Morte... acho que tem muito o que fazer... espero que não.

A Boa Senhora sorriu do meu desconcerto.

- Vá em paz, menina, e não esqueça as palavra do Mestre Jesus - Vigiai e orai para não cair em tentação, pois o Espírito está pronto para resistir, mas a carne é fraca- Sua família deve estar ansiosa para vê-la bem.

De repente, senti uma força me levantar rumo ao céu, eu podia sentir o barulho das asas de um ser que me sussurrava:

- Sou o Anjo Rafael, o anjo encarregado de curar os humanos, agora, você precisa acordar e ter coragem para fazer o que lhe foi pedido.

Por um momento meus olhos foram envolvidos em uma escuridão absoluta e todo meu ser estava envolvido no nada. Não sei em quanto tempo tudo isso aconteceu, eu sei apenas que subitamente pude abrir meus olhos e ver o branco das paredes. Estava deitada numa cama que me parecia ser de um hospital. Olhei para o meu braço e vi que estava com uma agulha em minhas veias, levantei a cabeça com certa dificuldade e vi que o soro já estava no final e senti olhares carinhosos a me encher de carinho. Ao conversar com meus familiares e com as pessoas que estavam cuidando da minha saúde, eu fui tendo consciência de que tinha escapado por pouco de uma tentativa de suicídio. Por um milagre, diziam, e no meu íntimo isso era uma certeza que me marcaria pelo resto dos meus dias.

Depois de sair do hospital as palavras que ouvi de Deus continuavam a arder no meu peito. E pude compreender:

 - "Tu me seduzistes, Javé, e eu deixei-me seduzir (Jr 20,7)."

(Millena Cardoso de Brito)


sábado, 1 de novembro de 2014

Uma reflexão sobre a morte

A Morte sem lamento

Farei da minha morte minha salvação,
Bandeira da rendição
do que não se pode fugir,
do que não se pode negar.
O grito sem consciência do corpo,
matéria que quer descansar
de tantos lamentos que a vida traz.
Alma querendo um porto,
Querendo um lar,
Para fugir
De tantos enganos,
Dos falsos ganhos, 
Da falsa paz,
E encontrar o repouso
no Que se possa Eternizar.

(Millena Cardoso de Brito)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A peçonha do desejo

Embriaguez

Para que falar da Paixão,
se a força de tal sentimento é peçonha
que nos nutre das mais doces ilusões?
Se deturpamos sua essência e
nos embriagamos em seus enganos e
entorpecemos os nossos corpos 
em nossa fragilidade?
Paradoxalmente, ao meu desejo sinto
a repulsa de seus beijos de serpente
que me envolvem meu corpo
em um estranho gozo.
Pergunta-me o porquê de a verdade brincar
em meu olhar sombrio.
Respondo apenas que meus olhos
procuram no vazio a verdade
que teima em fugir a razão.
Bebemos um no outro um vinho
que nos faz esquecer por um tempo 
nossos medos.
Seus lábios, 
sorrisos,
suspiros,
palavras soltas!
Que mentira enlouquecedora!
Depois golpes de realidade jogam ao chão,
o que habitava as nuvens...
Realidade necessária para que não se consuma
a vida na ilusão,
não quero o medo,
quero o amor,
o amor desprendido,
o verdadeiro amor.
porém, preciso estar perto
de quem amo em segredo, dor
ou do engano nas mentiras do presente.

(Millena Cardoso de Brito)


Questionamentos

Será preciso aprender a conformar-se com tudo?
Não irei fazer rimas.
Quero apenas pungir o papel
com palavras impetuosas,
porém verdadeiras,
para desabafar o que minha boca cala.
Não irei idealizar a vida, pois sua aspereza 
desilude quem a vive.
Provoca angústias, feridas n'alma.
As feridas d'alma demoram a sarar.
Marcam e, muitas vezes, nem o tempo é capaz de cicatrizar.
Os nossos dias parecem eternos,
mas de repente tudo passa.
Somos perseguidos pelo véu do esquecimento.
Vivemos como se fôssemos prisioneiros de uma cadeia
interminável de frágeis vidas
que terminam, quando menos se espera para um fim...
Que fim?
Deus...
Conforta confiar na sua existência.
essa é a resposta parta a nossa existência,
pois viver para ter um fim eterno seria contraditório demais!
Para que serviria tudo que fizemos na Terra?
Não encontramos todas as respostas.
Talvez soltas as palavras não façam sentido,
não digam nada.
O passado traz consigo para o presente sequelas, marcas, como tatuagem, 
marcam de forma a ferir até que algo mais forte venha apagar.
Um vento capaz de apagar o fogo tem que superar o fogo.
Remediar?
Como remediar?!

(Millena Cardoso de Brito)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Abrigo divino

crédito: imagem retirada da Internet

Almas

Almas perdidas a procura de um abrigo seguro
Solitárias almas em busca d'alegria
Que procuram a parte que lhes falta
para preencher seu vazio.
Como se cada alma fosse incompleta.
Mas, oh almas, sentindo-se sozinhas.
Não se desespereis!
Seja Deus seu abrigo,
Pois não há na terra complemento
Que preencha nossas almas.
Há apenas e constante procura de companhia.
Companhia para procura da Felicidade
Que só pode ser alcançada na entrega
De nossa alma a força maior
Que nos rege:
O Verdadeiro Deus.

(Millena Cardoso de Brito)


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Leitura: um precioso e delicioso alimento para mente e alma!

conclui a leitura de um livro que me fez refletir vários pontos importantes sobre a vida humana. O nome do livro é "Médico dos Homens e de Almas: A história de São Lucas, escrito por Taylor Caldwell. A autora levou 46 anos para concluir o livro, começou a escrevê-lo aos 12 anos de idade, impulsionada pela sua admiração pela figura de São Lucas, chamado no livro de Lucano, um dos poucos discípulos de Jesus que não conviveu com o Mestre. Apesar disso, Lucas escreveu um dos evangelhos da Bíblia Sagrada dos cristãos. Ele era médico, erudito, não era judeu, e sim grego, e percorreu um tortuoso e doloroso caminho até compreender sua missão como servo de Deus. Ele fora criado para amar os deuses, mas o seu coração ardia pelo "Deus Desconhecido". Os gregos tinha um templo em honra a vários deuses e, dentre tantos, um local despido de esculturas e com inscrição "Deus Desconhecido" chamou a atenção do pequeno Lucano no templo grego que visitava na sua infância com os pais.

Uma das coisas que mais me encantou foi o cuidado com que foram retratados as diferentes crenças religiosas no livro. Retratar histórias é muito complexo, principalmente quando resvala sobre o assunto religião. Cada uma delas possui sua essência e deve ser respeitada como crença e opção de cada um. Eu sou católica, e deleitei-me em acompanhar a trajetória de Lucano, São Lucas, descrita no livro.
Na infância, Lucas amava o que os seus pais gregos chamavam "Deus Desconhecido", porém, não entendia o porquê desse amor, nem quem realmente era o tal Deus, que os diferentes povos, inclusive o seu, chamavam de "Deus dos judeus".

Esse amor transformou-se em ódio com a morte de sua amiga de infância, que morreu na adolescência, quando os dois começavam a despertar para o amor entre homem e mulher. Lucano revoltou-se contra Deus e resolveu tornar-se um dos mais competentes médicos, e assim ser capaz de tirar, do que ele chamava "Tirano", suas vítimas para ele inocentes, pobres e desvalidos. Apesar de ser rico, largou família e poder, inclusive a proteção do imperador romano Tibério, que era amigo de sua família, para consultar e tratar de graça escravos, camponeses pobres, e considerados sem valor para sociedade da época, em navios e portos. Ele tinha o dom da cura. Deus piedosamente tinha um plano grandioso para Lucano. Nas suas viagens, curou pessoas atingidas pela peste, "lepra", câncer, além de doenças psicológicas e espirituais. Toda sua ira por Deus reverteu-se em dolorosa piedade, capaz de tocar e sarar várias pessoas, na sua trajetória rumo ao conhecimento de Deus. Lucano ouviu falar de um homem que realizava milagres e que muitas pessoas diziam ser o Messias, esperado a tempos pelos judeus e profetizado por vários povos,  e sua inquietação aumentava com as informações que recebia sobre ele.

Certo dia um grupo de pacientes depredou a residência de Lucano e bateu até deixar desacordo o seu auxiliar que morava com ele. Um camponês rico, ao se passar por pobre, e sendo desmascarado por Lucano, não quis pagar a quantia que o médico cobrou a ele em razão dele ter posses. O homem não quis gastar dinheiro com outro médico que auxiliasse o parto de sua mulher, que abortou o filho deles. O rico velhaco revoltado com a situação, culpou erroneamente Lucano, e incitou os pobres que esperavam atendimento,  enquanto o médico saiu para atender o chamado urgente de um paciente, a sentirem raiva de Lucano, pois ele estava abrigando um escravo que segundo o povo adotava prática de magia que prejudicava as pessoas. O negro que auxiliava o médico nas consultas não era mais um escravo, pois tinha sido liberto por Lucano, e nada de ruim fazia a ninguém. Ele foi espancado e a casa do médico destruída. Quando Lucano chegou ficou horrorizado com a cena, e viu seu querido amigo machucado, e tinha apanhado tanto a ponto de ter os olhos inutilizados, ele estava cego.

O médico percebeu pela primeira vez que o ser humano não era tão inocente e injustiçado como ele tinha imaginado. Nesse momento pediu perdão a Deus pelos anos de ódio, e começou a enxergar o caminho que precisava seguir para encontrar o que finalmente, depois de muitos anos de dúvidas, sabia procurar: Deus.
Ao final do tratamento de seu amigo machucado, chorou ao pensar em ver os olhos inutilizados desse que além de mudo, ia ficar cego para o resto da vida, tão grande foi sua surpresa e alegria, quando viu que ele via como antes. Percebeu, então, que um milagre havia acontecido. Deus tinha curado o seu amigo através de seus pedidos e orações. Dias depois, ao saber do paradeiro de Jesus, o amigo do médico, chamado Ramo, foi embora e deixou uma carta de despedida, dizendo que ia atrás do Messias para que ele o curasse e eliminasse a maldição lançada no passado sobre o seu povo, pois ele era da tribo dos filhos de Cam. Lucano, apesar de triste, sabia o quanto Ramo havia desejado ver Jesus e desejou apenas que ele tivesse êxito em sua busca.

Passado mais algum tempo, ele sentiu a confirmação em seu coração de que o Jesus de que falavam era o Filho de Deus, prometido aos homens para vir à Terra para a salvação de todos. Lucano recebeu uma carta de  Ramo que contava como foi seu encontro com o Mestre e como ele tinha o curado de sua mudez, além de ter removido toda maldição contra o seu povo, ele contou que tinha voltado para sua Terra espalhar a Boa Nova e pedia desculpas por ter deixado o amigo médico sozinho.

Depois de cumprir suas obrigações como médicos em vários portos e embarcações, mais de um ano depois da crucificação de Jesus, Lucano pisou na terra, onde sentiu a Paz que tanto procurava. Ele foi inspirado pelo Espírito Santo a escrever o Evangelho sobre a história do Filho de Deus, e visitou os apóstolos de Cristo, e sua Mãe, em um dos momentos mais belos do livro. É um livro que vale a pena ser lido não apenas com os olhos da razão, mas também do coração.

CALDWELL, Taylor. Médico de homens e de almas.Tradução de Aydano Arruda. 50ª ed. Rio de Janeiro: Record. 2012.

by Piêtra Giovana Santos de Brito (minha sobrinha)