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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Entrega

 


Talvez um dia minha alma confusa 

consiga viver a imensidão que procura.

Não esperaria menos de quem se consome para dar e receber a vida.

Nem imaginaria outro destino para quem se entrega sem limites.

Quem ama mesmo nos terrenos mais áridos.

Quem se atreve a libertar sem a certeza do retorno.

Quem quer uma alma tão livre quanto a sua.


(Millena Cardoso)

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Epifania

Não é fácil viver no vão,

Onde a permanência não responde

As nossas súplicas.


Deixe-me pulsar onde há espaço

O perigo talvez seja o vazio,

O fim de Tudo.


As dores me lembram que há vidas

Nascidas das feridas.

Elas te levam aos muitos sois-

A existência pulsante do ser.


(Millena Cardoso, 23/05/2025)

segunda-feira, 14 de março de 2022

Mulher

A palavra mulher me faz lembrar chamas trepidando, como as que queimaram muitas que no passado não se encaixavam nos padrões dos homens. 
Eu as imagino dançando nas chamas sem se importar com a dor, nem com o medo. Isso é o que muitas de nós fazemos, enfrentamos a ferocidade deste mundo com o melhor do que somos.
Nós lutamos com beleza, verdade e acima de tudo amor. Somos a criatura escolhida para ser fonte criadora. 
O ser que o mundo precisa para lembrar que podemos ser eternos. Nós acolhemos no nosso seio o destino da humanidade.
O que somos é capaz de mudar o rumo de muitas vidas.
Nascemos para ser a força, a coragem necessárias para que o mundo seja como deve ser.
As chamas não podem nos parar.
Não há como conter o que nasceu para o sagrado. 
Somos deusas das chamas que nos envolvem. 
A nossa luta é para romper com tudo que golpeia a nossa liberdade.
Para poder sermos mulheres que podem amar sem o medo de serem machucadas ou mortas; mulheres que possam andar pelas ruas a qualquer hora sem sofrerem nenhum tipo de violência; mulheres que são respeitadas em todos os espaços que ocupam na sociedade; mulheres que comandam sem que ninguém questione sua autoridade; mulheres que podem escolher simplesmente serem mulheres.
 
 (Millena Cardoso de Brito)

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Namorados

Não sei como seres tão diversos                                                              foram se encontrar no emaranhado de tantas outras vidas.                    Você gosta de brega, eu de rock.                                                            Gosta de ir à cultos, eu às Missas.                                                           Você é de Exatas, eu de Humanas.                                                      Nenhuma das diferenças atrapalharam o jeito como nós ligamos nossas vidas.       

Passamos juntos muitas datas comemorativas criadas pelos humanos  com  a curiosidade dos anjos.                                                                             Esperei muitos anos por um namorado.                                                  Esqueci os tempos de solidão nos seus braços                                      e você se tornou cura para muitos dos meus medos.                              Ajudou-me a rir das minhas dores                                                          e me conforta quando passeamos juntos pelo passado.                        Já não sinto o peso do tempo,                                                                  pois tenho com quem dividi-lo.                                                                Não me assusta mais a velhice,                                                              pois confio na permanência do amor nos teus olhos.                              Sei que para sempre é um tempo muito longo,                                        mas é o que desejo para nós.        

                                                                                                                Quero que cheguemos juntos ao céu e lá possamos andar de mãos dadas pela eternidade.                                                                             Na Terra quero construir nosso céu, um lugar de amor, onde nos tornemos o que Deus quer de nós.                                                      As nossas vidas já se cruzaram agora nosso céu está próximo. 

(Millena Cardoso)

domingo, 19 de abril de 2020

Beleza

Crédito: Foto retirada da Internet

Há beleza nos primeiros cabelos brancos, 
como nos últimos acordes de uma bela canção. 
Há beleza nos lábios que calam uma injustiça,
 como nos olhos de quem pede pão. 
Há beleza no fenecer do dia que se despede em cores vivas no céu; 
como no viver que deixa marcas nos rostos. 
É a vida deixando seus rastros 
e renovando o que é o belo com o mover do tempo. 
Há beleza na semente que desce ao chão para o brotar da vida,
como no nosso expirar. 
Há beleza no início e no fim. 
Há beleza em mim, em ti, em tudo.   
                                                  
(Millena Cardoso)

quarta-feira, 25 de março de 2020

Nós

Crédito: Imagem retirada da Internet


Eu gosto de quando ri dos meus medos e eles diminuem,
Quando nós brincamos com a brevidade do tempo
E com as dificuldades da vida.
Quando escorrego para o seu colo
E descanso meus pensamentos.
Quando sinto o seu desejo de permanecer.
Eu gosto quando tenta gravar meus traços com suas mãos
E como não se assusta com meus defeitos
Nem com meu cabelo que você assanha
Com seus dedos nervos.
Gosto da sensação que seus olhos provocam no meu corpo
E de ter para onde voltar quando tenho medo.

(Millena Cardoso de Brito)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Encontro

Crédito: Imagem retirada da Internet


Quando o teu corpo trepidou junto ao meu,
Percebi que tinha encontrado um lar.
Mais do que um abrigo, a extensão do meu ser.
O encontro inesperado de vontades se transformou
No amor em seu estado primitivo.
Pernas e braços entrelaçados no banco do parque
Falaram do desejo de permanência.
Dois jovens em busca de uma promessa antiga
Começaram a descobrir como a vida vai se construindo.
Os lábios que pronunciaram preces saboreiam a graça pedida.
Eu pude viver contigo o futuro que havia imaginado na infância.
Meus clamores foram atendidos quando nos beijamos.
Eu pude sentir Deus falar comigo na tua boca.

(Millena Cardoso de Brito)

Despertar


Crédito: imagem da Internet

A carne quente pulsando vida desperta
Meus sentidos entorpecidos,
Traz a familiar sensação de aconchego do ventre materno.
Eu sou despertada pelos barulhos do teu corpo
Que me dão o conforto de te ter vivo,
Pois como diria Manuel Bandeira o que eu adoro em ti é a vida.
Eu amo com o interesse no pulsar do teu sangue
Que me livra de passar os dias no automático.
Encontro no colorido da tua voz e dos teus gestos
Uma nova forma de sentir o tempo.


(Millena Cardoso de Brito)

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Viver

Crédito: Imagem retirada da Internet


Não estou pronta para viver a minha idade cronológica,
Mas a vida talvez seja isso a gente viver no susto.
Não estar preparado para o fim nem para o início,
Nem conseguir acompanhar o curso do tempo.
Não há como conter o inesperado,
Nem fazer que tudo aconteça da maneira que desejamos.
Precisamos ter calma para atender as necessidades do momento.
A minha ânsia de infinito me fez preservar a infância no ser e nos gestos,
Guardar o encantamento das noites de luar,
Lançar-se ao novo com a confiança
De que haverá sempre amparo.
Para mim tudo é imenso e intenso
E há novidades no simples abrir e fechar de olhos.
Não consigo contar o tempo por anos,
Mas pelo que sinto do que vivi.
Há dias cheios de eternidade e outros vazios.
Sou levada pela transitoriedade da vida
Que me abraça com dedos firmes
E me prende às minhas escolhas.
Mas, o que procuro é a permanência,
Deixar o medo de perder a consciência
E viver a certeza de que existe o Eterno.
Gosto de saborear o passar do tempo
Mas preciso da certeza do por vir.
Não estou pronta para viver a minha idade cronológica,
Mas a vida talvez seja isso viver.


(Millena Cardoso de Brito)

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Paredes


Crédito: imagem retirada da Internet


Bendigo as paredes que escondem as minhas vergonhas, meus medos, fraquezas,
Ocultam a nudez do corpo e da alma.
Gosto de estar no meu espaço para deixar meu corpo ser sem amarras,
Esvaziar-se de olhos, ouvidos, toques questionadores.
Viver as autodescobertas solitárias de quem se depara com a própria humanidade.
Estar contida em um lugar que me ampare do medo
E represe meu prazer e dor.
Comunico-me entre as paredes com a eloquência de quem conquista
Alguém para a eternidade.
Expando a vida ao estar no meu quarto a sós com o Eterno.
As paredes envolvem preces, sussurros, gritos,
Acolhem impassivas as palavras não ditas.
Vivo céus e infernos que orbitam meus pensamentos
E rompem a lógica material.
Mesmo estando vulnerável sozinha em um espaço, sinto-me protegida do outro.
Não me agrada o silêncio perscrutador de outra mente que me desconcerte.
Gosto da solidão para me sentir e sentir como o outro me afeta.
Entre as paredes posso discernir o que me faz ser quem sou.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Resistência


Imagem retirada da Internet

Palavras e imagens ferem meus sentidos como um punhal,
Tudo passa bem rápido pelos meus olhos cansados da espera
Pelo presente que insiste em sair do meu alcance.
Flutuo entre realidades criadas para afastar a incerteza
Que enche minha mente de falsos enigmas.

Com olhos postos no céu resisto ao fim.
Não importam as palavras e as imagens
Que perseguem meus pensamentos e me causam medo,
Nem a dor que vez ou outra me paralisa.
Eu decidi acreditar no Eterno
E luto para que eu deixe este mundo entregue a vontade da Criação, 
pois como diz a Escritura Sagrada devemos dar maior valor ao fim do que ao início.

Pois o começo é cheio de possibilidades 
Enquanto o fim com sua essência de completude traz a definição para as vidas. 
Eu prefiro o definitivo e perpétuo fim de todas as dúvidas ao início com as suas incertezas.
E espero cheia de esperança que meu último suspiro seja de total entrega ao Criador.






quinta-feira, 16 de maio de 2019

Mãe

Crédito: Imagem retirada da Internet



Mãe, ser de renúncia, amor de Deus refletido na retina, sustento na dor, no medo, na incerteza, sempre de braços postos a segurar nosso corpo pendendo da cruz, fonte e caminho para a eternidade, que no ventre fecundo gera o futuro da humanidade. 

Olho para ti e peço que continue a ser mãe e nos meus braços seja para sempre o que tu és.

Peço tua presença constante que afugenta o mal e que não haja mais morte para fechar-te os olhos, quero não mais temer que qualquer golpe desavisado da vida te leve e teu corpo seja um templo indestrutível onde possa apenas existir amor, o amor que te move e te faz ser mãe, ser que é um projeto de céu na terra, elo entre Criador e criatura, local para onde correm os corpos cansados da frieza do mundo.   

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A galinha

Crédito: Imagem retirada da Internet

A minha visão em relação ao tempo mudou no simples ato de ver uma galinha sendo cortada. As mãos enrugadas da minha avó cortavam com agilidade a pele macia e ainda quente do animal morto há pouco tempo. Minha mãe e eu a observávamos. Poucos segundos antes, minha mãe era quem executava a tarefa, enquanto, eu e minha avó apenas a observávamos. Eu sempre admirei a autoconfiança com que minha mãe usava a faca na cozinha. Diante dos frangos congelados, suas mãos pareciam certeiras. Mas, naquele momento à beira da pia no vasto quintal da casa minha vó
, ela como filha perdeu a firmeza nas mãos. Eu não sei se por causa do cheiro quente das vísceras que pareciam mais assustadores do que as frias entranhas das galinhas que ela costumava cortar ou se por causa de estar sendo observada pela sua experiente mãe. O fato é que ela tomava o lugar de filha e não de minha mãe e isso me divertiu. Minha vó ao vê-la trêmula diante da galinha tomou-lhe das mãos a faca e passou ela mesma a executar a ação. "– Você está cortando errado, cuidado com o papo!" ,"– Pera mãe, eu sei!"Eu me via na minha mãe e me invadia um certo sentimento de desforra das broncas que já tinha levado por não fazer as tarefas domésticas do jeito que ela achava melhor em nossa casa. Eu conclui que a relação de mãe e filho ou filha estava contida naquela cena. Pareceu que diante de mim o tempo se retraía e se expandia no simples cortar de uma galinha. Obrigada por esse momento adorável animal. Eu espero que haja um céu onde nós possamos nos encontrar para eu te falar sobre esse dia.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Concepção



Crédito: Imagem retirada da internet


Teu corpo me invade ferido
Com a rubra face do desejo.
Nossos sentidos sedentos vasculham
A vida que resiste nos nossos corpos entrelaçados.
O ser se enche de paraíso.
Deus concede ao homem o dom da criação.

(Millena Cardoso de Brito)

Memória

Crédito: Imagens da Internet



Calo a memória,
Cruzo a fronteira,
Desfaço a lógica
dos dias de gelo.
Há no vazio inquietante paz
Que desejo para fugir do caos.
Vozes rasgam a escuridão
E Preenchem o meu vazio.
O céu presencia o expirar do tempo,
A vastidão engole o abismo.

(Millena Cardoso de Brito)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Dança da vida

Crédito: imagem retirada da Internet

A vida insinua-se vestida de festa,
Com Trajes de gala e carregada de assessórios.
Ela dança com o tempo que a conduz pelo salão.
O tempo corta o espaço com a vida em seus braços
E pode de repente parar ao cessar da música.
Não me prende as seduções da vida
tão indefesa sob o domínio do tempo.
Cuido de seguir a fonte da música que me levará ao fim
Com uma beleza triste carregada de esperança.
O fim me atrai.
O mistério que há após o cessar da música
Me faz ter vontade de conhecer outro parceiro melhor que o tempo.
A eternidade.

(Millena Cardoso de Brito)

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Desejo de eternidade

Crédito: Imagem retirada da Internet

Sigo incapaz de ferir sem me ferir.
Sofro por sentir demasiadamente.
O simples expirar de uma pétala caída me transborda.
Qualquer vida e morte me revolve os sentidos sedentos de infinito.
Cada dor e alegria enche meu peito de humanidade.
O sabor da terra se mistura ao desejo de céu.
Tateio a esperança do paraíso em cada fim.
A vida com toda resistência se instalou em mim.
Enxergo em todos vestígios da eternidade.
Tudo isso é o sopro do ser a me salvar do abismo.

                                                        (Millena Cardoso de Brito)




terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Criador e Criatura

Crédito: Imagem retirada da Internet

Deus me ama mais do que eu possa imaginar,
não existe amor sem Deus.
O amor vem de Deus e é Deus.
Eu sou eterna escrava desse amor.




segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Clamor

Crédito: Imagem retirada da Internet

Um corte no meu peito doeria bem menos do que saber que te perdi.
Eu entregaria todos os meus dias de vida aos céus para te salvar não só o corpo, mas também a alma.
Não me importaria estar reclusa pelo bem da tua vida.
Quero te salvar de mim,
Pois meus olhos e ouvidos precisam ser arrancados para não te fazer perder ou mesmo me perder.
Cuida do que é teu e eu estarei a orar por ti,
Longe e incomunicável,
Reclusa no meu imperfeito amor de criatura.
Deus encontrará um jeito de ti trazer de volta a vida.
Eu vou clamar a Deus que cuide de ti,
Nada mais posso fazer.
- Oh céus! Transforma tudo que sinto em amor e tira o que não vem de ti do meu peito.


Retorno

Eu confesso meus erros e pecados todos,
menti, fingi, omiti, não segui a voz do meu pastor.
Mas, como o filho pródigo retornei ao lar.
Não consigo me perdoar,
Nem enxergar o perdão do meu Senhor.
Todos os dias que estive em Sua casa parecem em vão.
Meu amor estancou nos meus erros e pecados.
Eu preciso da cruz de Cristo para aplacar minha dor.

Pois só o sangue Dele pode lavar toda a minha culpa.