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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Resistência


Imagem retirada da Internet

Palavras e imagens ferem meus sentidos como um punhal,
Tudo passa bem rápido pelos meus olhos cansados da espera
Pelo presente que insiste em sair do meu alcance.
Flutuo entre realidades criadas para afastar a incerteza
Que enche minha mente de falsos enigmas.

Com olhos postos no céu resisto ao fim.
Não importam as palavras e as imagens
Que perseguem meus pensamentos e me causam medo,
Nem a dor que vez ou outra me paralisa.
Eu decidi acreditar no Eterno
E luto para que eu deixe este mundo entregue a vontade da Criação, 
pois como diz a Escritura Sagrada devemos dar maior valor ao fim do que ao início.

Pois o começo é cheio de possibilidades 
Enquanto o fim com sua essência de completude traz a definição para as vidas. 
Eu prefiro o definitivo e perpétuo fim de todas as dúvidas ao início com as suas incertezas.
E espero cheia de esperança que meu último suspiro seja de total entrega ao Criador.






quinta-feira, 16 de maio de 2019

Mãe

Crédito: Imagem retirada da Internet



Mãe, ser de renúncia, amor de Deus refletido na retina, sustento na dor, no medo, na incerteza, sempre de braços postos a segurar nosso corpo pendendo da cruz, fonte e caminho para a eternidade, que no ventre fecundo gera o futuro da humanidade. 

Olho para ti e peço que continue a ser mãe e nos meus braços seja para sempre o que tu és.

Peço tua presença constante que afugenta o mal e que não haja mais morte para fechar-te os olhos, quero não mais temer que qualquer golpe desavisado da vida te leve e teu corpo seja um templo indestrutível onde possa apenas existir amor, o amor que te move e te faz ser mãe, ser que é um projeto de céu na terra, elo entre Criador e criatura, local para onde correm os corpos cansados da frieza do mundo.   

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A galinha

Crédito: Imagem retirada da Internet

A minha visão em relação ao tempo mudou no simples ato de ver uma galinha sendo cortada. As mãos enrugadas da minha avó cortavam com agilidade a pele macia e ainda quente do animal morto há pouco tempo. Minha mãe e eu a observávamos. Poucos segundos antes, minha mãe era quem executava a tarefa, enquanto, eu e minha avó apenas a observávamos. Eu sempre admirei a autoconfiança com que minha mãe usava a faca na cozinha. Diante dos frangos congelados, suas mãos pareciam certeiras. Mas, naquele momento à beira da pia no vasto quintal da casa minha vó
, ela como filha perdeu a firmeza nas mãos. Eu não sei se por causa do cheiro quente das vísceras que pareciam mais assustadores do que as frias entranhas das galinhas que ela costumava cortar ou se por causa de estar sendo observada pela sua experiente mãe. O fato é que ela tomava o lugar de filha e não de minha mãe e isso me divertiu. Minha vó ao vê-la trêmula diante da galinha tomou-lhe das mãos a faca e passou ela mesma a executar a ação. "– Você está cortando errado, cuidado com o papo!" ,"– Pera mãe, eu sei!"Eu me via na minha mãe e me invadia um certo sentimento de desforra das broncas que já tinha levado por não fazer as tarefas domésticas do jeito que ela achava melhor em nossa casa. Eu conclui que a relação de mãe e filho ou filha estava contida naquela cena. Pareceu que diante de mim o tempo se retraía e se expandia no simples cortar de uma galinha. Obrigada por esse momento adorável animal. Eu espero que haja um céu onde nós possamos nos encontrar para eu te falar sobre esse dia.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Concepção



Crédito: Imagem retirada da internet


Teu corpo me invade ferido
Com a rubra face do desejo.
Nossos sentidos sedentos vasculham
A vida que resiste nos nossos corpos entrelaçados.
O ser se enche de paraíso.
Deus concede ao homem o dom da criação.

(Millena Cardoso de Brito)

Memória

Crédito: Imagens da Internet



Calo a memória,
Cruzo a fronteira,
Desfaço a lógica
dos dias de gelo.
Há no vazio inquietante paz
Que desejo para fugir do caos.
Vozes rasgam a escuridão
E Preenchem o meu vazio.
O céu presencia o expirar do tempo,
A vastidão engole o abismo.

(Millena Cardoso de Brito)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Dança da vida

Crédito: imagem retirada da Internet

A vida insinua-se vestida de festa,
Com Trajes de gala e carregada de assessórios.
Ela dança com o tempo que a conduz pelo salão.
O tempo corta o espaço com a vida em seus braços
E pode de repente parar ao cessar da música.
Não me prende as seduções da vida
tão indefesa sob o domínio do tempo.
Cuido de seguir a fonte da música que me levará ao fim
Com uma beleza triste carregada de esperança.
O fim me atrai.
O mistério que há após o cessar da música
Me faz ter vontade de conhecer outro parceiro melhor que o tempo.
A eternidade.

(Millena Cardoso de Brito)

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Desejo de eternidade

Crédito: Imagem retirada da Internet

Sigo incapaz de ferir sem me ferir.
Sofro por sentir demasiadamente.
O simples expirar de uma pétala caída me transborda.
Qualquer vida e morte me revolve os sentidos sedentos de infinito.
Cada dor e alegria enche meu peito de humanidade.
O sabor da terra se mistura ao desejo de céu.
Tateio a esperança do paraíso em cada fim.
A vida com toda resistência se instalou em mim.
Enxergo em todos vestígios da eternidade.
Tudo isso é o sopro do ser a me salvar do abismo.

                                                        (Millena Cardoso de Brito)